[Emerson Macedo] Computação Ubíqua e Dispositivos móveis

Introdução

É fato que nos dias de hoje muitas tecnologias novas surgiram no cenário mundial. Temos sido inundados por celulares, smartphones, notebooks, netbooks e outros mais. Hoje em dia existe internet 3G nas principais grandes cidades do mundo. Internet WIFI já é algo comum faz tempo. Esses recursos estão começando a mudar nossas vidas de uma forma surpreendente. Mas será que essa idéia é nova? Quando será que começaram as pesquisas sobre essas tecnologias? Qual será o impacto futuro em nossas vidas? Acredito que estamos realmente num caminho onde a computação fará parte de quase todos os objetos que usamos no dia a dia.

Definição

Ubíquo não é uma palavra muito usada em nosso cotidiano. Portanto, vale a pena apresentarmos alguns significados para nos ajudar a aprofundar mais no assunto.

Ubíquo significa algo universal, ou seja, algo que todos entendem, conhecem. Ubíquo também pode ser interpretado como aquilo que esta presente em todos os lugares, ao mesmo tempo. É como onipresença. Essa segunda definição tem mais a ver com o conteúdo desse artigo.

História

Em 1991, Mark Weiser escreveu um artigo chamado “O Computador do Século 21 (The Computer for the 21st Century). Weiser era cientista chefe do Centro de Pesquisa Xerox PARC. Nesse artigo, ele definiu o termo Computação Ubíqua, que define um contexto onde a presença computacional em algum objeto é totalmente transparente para quem usa e em alguns cenários totalmente invisível. Weiser também exemplifica a escrita, que foi provavelmente a primeira tecnologia de informação e que se tornou Ubíqua em países industrializados. Ele usa esse exemplo para definir que as tecnologias que são mais profundas são as aquelas que “desaparecem”. Por desaparecer, acho que Weiser quis dizer que a tecnologia fica tão arraigada no nosso dia a dia tornando seu uso automático, deixando de ser aquele algo novo e surpreendente. Vislumbrando como seria a computação do nosso século, Weiser também fala sobre redes gigabits, armazenamento de terabytes e sobre Tabs e Pads, que seriam os palms, smartphones, Kindles e iPads que temos hoje. Quase no fim do artigo, ele conta uma estória ilustrativa de uma pessoa vivendo nesse mundo todo conectado e apresenta diversos protótipos feitos por ele e sua equipe de alguns desses equipamentos e tecnologias.

No que diz respeito a tecnologias, lembro-me bem que Java era uma dessas que originalmente foi criada para ser usada em dispositivos embarcados, especialmente na informatização da casa, mas era algo muito avançado para época. Isso surgiu no mesmo ano em que Weiser escreveu seu artigo. No fim das contas a linguagem Java tomou outro rumo, muito bem sucedido por sinal.

Contexto atual e futuro

É impossível negar que a computação Ubíqua tem afetado nosso dia a dia. Hoje temos Hotspots WIFI em diversos lugares. A internet 3G está presente nos celulares modernos, possibilitando infinitas formas de comunicação. Serviços de Voz sobre IP tornaram possível usarmos ferramentas como Skype, que permite obter um número de um País e utilizar em qualquer lugar do mundo. Cada vez mais fazem parte do nosso dia a dia tecnologias como as de automóveis com computador de bordo, iPhones, iPads, totem para compra de ingressos no cinema, totem para check-in de voos, e outros mais.

Outra tecnologia que está acelerando o processo da computação Ubíqua é o Cloud Computing. Há alguns anos, milhares de pessoas tem suas contas de email online em serviços como gmail, yahoo mail e similares, de forma a não precisarem mais de um cliente de email como ferramenta obrigatória em seus computadores. Essa modalidade é conhecida como SaaS (Software as a Service). Outra modalidade é o IaaS (Infrastructure as a Service), onde existe uma infraestrutura transparente para quem contrata servidores, podendo adicionar mais recursos computacionais ao invés de mais um computador ou hardware físico. Mais recentemente surgiram também plataformas para desenvolvimento de software totalmente na web como o Google App Engine, Heroku e outros. Esse é o modelo PaaS (Platform as a Service).

Hoje em dia fala-se muito também em casas inteligentes, um conceito onde toda a casa está interligada e conectada, permitindo que luzes acendam com comando de voz, geladeiras enviem pedidos de compras ao supermercado quando estiverem perto de esvaziar, cafeteiras saberem o horário do seu café da manhã e prepararem o café sem você precisar fazer nada, e por ai vai. Esse conceito está ligado a Computação Pervasiva, que é uma espécie de subárea da Computação Ubíqua. Quem assistiu o filme “O Demolidor” (1993), com os atores Silvestre Stalone e Welsey Snipes, lembra que esses conceitos estão presentes no filme. Embora atualmente existam algumas iniciativas de empresas nesse ramo de Computação Pervasiva, essa tecnologia ainda está bem distante de uma adoção em massa.

Falando de futuro, é bem verdade que ainda não chegamos no nível onde Weiser aponta em seu artigo, mas afinal, ainda estamos no início do século, tendo passado apenas uma década. Uma das frases ditas por ele nesse artigo que chamou muito a atenção sobre esse futuro foi: “Não precisamos de nenhuma revolução na inteligência artificial, apenas incorporar a computação no cotidiano”.

Conclusão

O Caminho para Computação Ubíqua tem avançado muito nos últimos anos. As pesquisas e previsões de Mark Weiser tem se concretizado, quase que como uma profecia. Como profissionais de TI, nos resta estar atentos as oportunidades de negócio que essas tecnologias tem a nos oferecer e tirar proveito disso.

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