[Guilherme Cirne] Retrabalho Não Combina Com Equipes Ágeis

Retrabalho significa jogar tempo, dinheiro, etc. fora. Certamente, ninguém quer isso. Para tentar evitar esse retrabalho, normalmente a solução proposta envolve especificar “bem especificado”, planejar “bem planejado”, tudo com muita antecedência. É a velha muscle memory agindo. Sabemos que isso não funciona. Simplesmente porque é impossível prever o futuro.

A solução que eu acredito funcionar é aplicar as práticas de XP. E não basta aplicar uma ou outra, temos que aplicar todas. Juntas elas promovem uma sinergia que não existe quando são utilizadas de forma isolada.

Práticas como TDD, refactoring, integração contínua, programação em par, cliente presente, sentar-se junto, design incremental garantem uma base de código saudável, com design simples. Com isso o custo de mudança permanece constante ou mesmo pode cair com o tempo.

Kent Beck viu em muitos times XP que ao longo do tempo os sistemas desenvolvidos por esses times ficavam cada vez mais flexíveis e fáceis de mudar ao invés do que estamos mais acostumados a ver, que são aqueles sistemas legados cujo custo de mudança cresce exponencialmente com o tempo. Tal afirmativa pode parecer ir contra o senso comum mas faz todo o sentido quando temos as práticas do XP aplicadas corretamente.

O custo de um time XP competente é inegavelmente alto. Mas compensa no longo prazo por permitir que sistemas não precisem ser reescritos do zero a cada x anos. Além disso, outros motivos existem para se ter um time competente. Por exemplo, evitar o custo dos Net Negative Producing Programmers. Ou seja, na minha opinião vale a pena pagar pelos melhores.

Tenho vendido a idéia de que se uma equipe ágil está funcionando bem, nunca haverá retrabalho e sim, simplesmente, trabalho.