[Vitor Pellegrino] Intraempreendedorismo e Scrum. Lado a lado

Hoje em dia, a idéia de Intraempreendedorismo (ou intrapreneurship, do inglês) está cada vez mais em evidência. Este profissional, capaz de tomar decisões importantes e identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria, mesmo que ainda que não ocupe cargos de gerência, é cada vez mais procurado pelas empresas, indicando que este é um caminho a ser seguido.

Mas o que é intraempreendedorismo?

Como ponto de partida, tomemos a definição da wikipedia:

Intrapreneurship is the practice of entrepreneurial skills and approaches by or within a established organization.

Ou seja, intraempreendedor é aquele que trata a empresa onde trabalha como se fosse a sua. Usando de todo o espírito empreendedor que possua, em busca de oportunidades para o negócio, é aquele que não se atem somente aos limites de sua “função” dentro da empresa, mas que, sim, procura ter a noção do todo e, principalmente, de como melhor contribuir para que a organização atinja seus objetivos.

Mas o que o Scrum tem haver com isso?

Absolutamente tudo! Na verdade, o Scrum depende, fortemente, que os integrantes compartilhem desta visão intraempreendedora.

Um dos princípios do Scrum é fazer com que os times sejam auto-gerenciáveis, ou seja, que eles tenham tanto a autonomia para tomar decisões sobre o que vão fazer quanto para definir como será feito.
Um efeito muito interessante que ocorre em muitos times ágeis que trabalham de maneira auto-gerenciada é a troca de conhecimento entre os membros da equipe devido ao contato maior entre pessoas que sequer saberíam da existência umas das outras de outra forma.
Muito se fala, hoje em dia, sobre a questão da multidisciplinaridade e sobre sua aplicação no contexto de desenvolvimento de software e o quanto isso é importante na formação do novo profissional de informática. À esta mesma multidisciplinaridade, inclusive, atribuem o sucesso ou o insucesso de um time Scrum.
Todavia, existe uma crença que para este conhecimento ser compartilhado entre os membros de uma equipe, estes devem ser multidisciplinares - ou seja, têm de conhecer o máximo sobre tudo. Muitos acreditam que desta forma, estes profissionais podem assumir qualquer papel dentro do time, quando este precisar.

Legal! Mas e onde entra o intraempreendedor nesta história?

Ao meu ver, a capacidade de exercer papéis diferentes dentro de um time não está relacionada a formação, mas, sim, a postura deste profissional.

De nada adianta uma pessoa ser fluente em todas as tecnologias envolvidas num projeto se ele ainda mantiver a postura de ser responsável apenas pela “minha parte” do projeto. É muito mais importante saber trabalhar em equipe do que ter conhecimento em tudo o que a equipe faz.
Esse tipo de ponderação, de saber onde é que ele pode ser mais útil e de que forma fazê-lo, é uma coisa que depende fortemente de uma postura intraempreendedora. A noção de comprometimento e responsabilidade para com o produto como um todo é algo que depende fortemente disso.
Este profissional que tem ciência dos pontos fracos e das oportunidades de melhora da equipe como um todo, que consegue enxergar além das suas tarefas, este sim é um exemplar raro - e, portanto, de grande valor.
O Guilherme Chapiewski fez um post muito legal sobre a quantas anda a adoção do Scrum aqui na Globo.com e como este tipo de questão vem aparecendo. Definitivamente, vale a leitura.
Um grande abraço e até a próxima!