[Vitor Pellegrino] Sobre projetos pessoais (aka: política dos 20% do Google)

Atualmente, a empresa mais notória por este tipo de prática, sem sombra de dúvidas, é a Google; é inevitável chegar a conclusão de que, mesmo “trabalhando somente 80% do tempo” (como alguns poderiam pensar) estes caras são muito bons em matéria de produtividade e criatividade.
Este tipo de ambiente (tão almejado pelos desenvolvedores e pessoal de tecnologia) muitas vezes, se torna difícil de se justificar perante a diretoria da maioria das empresas; executivos são pessoas que estão acostumadas com números resultados mais “palpáveis”.

Mas será que este tipo de incentivo se torna  válido apenas quando projetos como Orkut ou o Google Reader emergem da criatividade de seus funcionários? Será que existem somente benefícios diretos desta prática?

Desde que a Atlassian (empresa que criou o Jira, o Confluence dentre outros projetos muito interessantes) anunciou publicamente que iria investir na criação de um projeto de incentivo à criatividade de seus funcionários, os liberando de 20% da sua carga horária para que estes pudessem investir em seus projetos pessoais, muita gente vem comentando por aí.

Este artigo traz excelentes considerações sobre os benefícios diretos e indiretos que este tipo de incentivo pode causar numa organização. Além de todos estes pontos, eu gostaria de ressaltar algumas outras coisas, do ponto de vista de quem trabalha numa empresa onde existe este tipo de política :

Conhecimento gera conhecimento.

Se um funcionário não trabalha em um projeto específico durante 20% do seu tempo, isso não quer dizer que ele não esteja produzindo nada para a empresa - conhecimento, ainda mais hoje em dia, vale ouro. Certamente, através da experimentação nestes projetos pessoais, este mesmo funcionário adquire um conhecimento prático que poderá ser muito útil no seu próximo projeto para a organização.

Certamente, o conhecimento adquirido durante estes projetos pessoais, se multiplica na empresa: aqui na Globo.com, temos os Techtalks, palestras dadas pelos próprios funcionários sobre tecnologias, abordagens ou qualquer coisa que seja relacionada à tecnologia. Seja na forma de palestras, quanto no seu emprego em outros projetos este valioso momento para experimentação e iniciativa pessoal não é perdido - de maneira alguma.

Grandes idéias surgem de onde menos se espera

Este, sem dúvidas, é um dos  argumentos mais comuns para a adoção deste tipo de política. Entretanto, é importante ressaltar que boas idéias vêm em forma de produtos - as vezes uma grande idéia pode surtir efeito na mudança de uma metodologia que pode representar valor para a empresa da mesma maneira.

Pessoas talentosas e auto-motiváveis precisam de um ambiente adequado.

Como nunca, as empresas começaram a ver que para ter um time produtivo de verdade, é preciso investir - e muito! - na qualidade do pessoal, bem como na qualidade do ambiente de trabalho deste. Wiis e Xboxes são elementos cada vez mais comuns nos escritórios por aí (na globo.com temos os dois rsrs) :).

Não somente contratar talentos, é preciso retê-los na organização. Dar um voto de confiança aos funcionários pode ter resultados surpreendentes; formar um ambiente onde a iniciativa pessoal é valorizada e fomentada, realmente, ajuda  bastante tanto na contratação quanto na retenção destes.

Além de implementar esta política, o pessoal da Atlassian resolveu documentar o que for acontecendo neste blog e neste feed. Fica aí a dica para quem quiser saber como é um ambiente deste tipo mais de perto.

Um grande abraço e até a próxima!